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O que é o luto na perda de um familiar e como a Constelação pode ajudar a compreender este problema?

O que é o luto na perda de um familiar e como a Constelação pode ajudar a compreender este problema?

A escolha do tema é concomitante à perda da minha mãe, que sofreu um acidente em maio do ano corrente e veio a falecer em junho,  ou seja, escrevo este texto a pouco mais de um mês de uma perda pessoal impactante, a opção de escolher um tema na qual expanda a minha própria consciência para o meu agora é de grande valia na minha cura.

A morte de um ente querido é irremediável para todos, o que leva ao luto, que é um processo resultante da perda. A questão é lidar com a perda do familiar de forma saudável, vivenciando o que foram chamadas de fases do luto, no seu próprio tempo e com respeito à forma pessoal de cada um ao encarar a distância fomentada com a morte.

A priori, acreditava que influenciava profundamente o luto o “como a morte ocorre ao ser amado”, através das formas: violenta, acidental, por doença ou súbita; outro ponto de impacto nesta transição é a idade do ente que partiu: criança, jovem ou adulto; pois durante a minha vida enfrentei situações adversas encarando estas situações e por um bom tempo acreditei que estes pontos pesavam sobre quem passava pela ausência.

A complexidade do luto é manifestada pela dificuldade ou até impossibilidade de superar a perda, o que acarreta segundo Freud as seguintes patologias:  melancolia, distúrbio de autoestima, identificação e incorporação, regressão ao narcisismo primário e ligação interminável com o objeto perdido; de acordo com outras fontes além das reações emocionais, podem ocorrer mudanças físicas, como: sudorese, palpitação e fraqueza.

O que me remete a perda do meu pai, ao ser que era com 22 (vinte e dois) anos e em relação ao estado emocional que me encontrava, já tinha tido perdas significativas, mas aquela foi a primeira na qual senti que quem convivia no mesmo ambiente diariamente, foi retirado tão abruptamente que fui catapultada a diversos sentimentos e situações nunca antes vivenciados; na primeira semana após o falecimento não conseguia respirar e dei entrada no hospital com palpitações e falta de ar, em grande estado de ansiedade, de acordo com o médico que me atendeu, sintomas motivados pelo estresse causado pelo óbito; fiquei um longo período afastada do convívio com outras pessoas e o que sentia como “profunda dor na alma”, não cessava.

As pessoas a minha volta não entendiam o que eu passava, possuíam dificuldades  de lidar comigo, agindo de forma extremamente compassiva no início e depois impacientes, após um período maior inconformadas e até agressivas, com o tempo que o luto durou naquele momento, sendo excluída da socialização com alguns indivíduos, pois inaptos estavam em lidar comigo.

A indicação que recebi foi de buscar ajuda profissional, que realizei somente após três anos arrastando o luto por longo tempo, na época optei por um psiquiatra, que de início indicou remédios e psicanálise, que honestamente, optei por não tomar; confesso que ter “hora marcada” para lidar com o luto foi altamente libertador, não conseguia antes lidar com a tristeza e quando procurei ajuda profissional, lembro exatamente que não conseguia chorar todo este período e no atendimento as minhas emoções afloravam, inclusive o choro, valoro muito esta experiência.

De acordo com Kübler-Ross, o luto possui estágios que são: negação e isolamento, raiva, barganha, depressão até a aceitação, fiquei muito tempo mantendo o isolamento e a raiva, até passei por alguns estágios ao mesmo tempo, era um turbilhão de emoções diversas, com grande dificuldade em lidar com a realidade existente na minha vida, afinal a perda já aconteceu, como viver com ela.

As Constelações Familiares, mostrou o que não via antes com a perda, a grande ligação com a percepção da necessidade de repetir padrões familiares para ser forte, não demonstrar fraqueza e sofrimento, naquele momento demorei a olhar e encarar o luto, ao trazer a vida este texto percebi isso, também sei que com a transição e perda do meu pai assumi o seu papel no relacionamento com a minha mãe, sai do lugar de filha por amor, para resolver e “salvar” a família.

Após diversos anos, também inverti o papel e assumi a minha mãe como filha, o que também trabalhei com as Constelações Familiares, voltei ao meu papel e cada um teve o seu lugar devido, bem como, honrado, hierarquia reconhecida.

Hoje sei que minha mãe não está aqui, sim tenho alguns períodos de afastamento do convívio social, o que como ser pensante e ocasionalmente introvertido, já fazia anteriormente, mas sem os excessos ou reclusão profunda, na qual passei no luto do meu pai.

O fato de ter trabalhado isso, até com as Constelações Familiares antes desta última despedida, conduz uma grande mudança e até a compreensão ascendida, tenho clareza e leveza com a perda, pois a vida e a morte acontecem, mas a forma de lidar depende de cada pessoa e de seu equilíbrio com a própria vida, a aceitação permite seguir sem arrastar dor, culpas e ressentimentos.

A leveza na certeza de um até logo!

 

Referências:

O conceito psicanalítico do luto: uma perspectiva a partir de Freud e Klein, por Andressa Katherine Santos Cavalcanti, Milena Lieto Samczuk e Tânia Elena Bonfim, http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-88092013000200007

 

Quando o luto se transforma em doença, por Juliana Conte é jornalista, repórter do Portal Drauzio Varella desde 2012.  https://drauziovarella.uol.com.br/psiquiatria/quando-o-luto-se-transforma-em-doenca/

Luto - Pscicologia, por Karina Romera de Carvalho https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/conteudo/luto/29028

Perguntas Rápidas

  • Escolho apenas um tratamento?

     Não, normalmente faço uma mescla de tratamentos para atender melhor 
  • Posso optar apenas pelas terapias complementares?

     Não, as terapias complementares como o nome diz, são complementos ao tratamento indicado pelo seu médico. 
  • O que está pegando? é suficiente?

     Não, ele é apenas um primeiro passo para sairmos da inércia objetivando o tratamento pleno 
  • Há algum tratamento online?

     Sim, vários! Entre em contato comigo e tire suas dúvidas!!! 

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